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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Carnaval em Veneza, Alemanha e Nova Orleans

Saiu no site Atica Educacional:

"Carnaval de Veneza

O Carnaval de Veneza, na Itália, é diferente em estilo, ritmo e espírito de qualquer outro carnaval. Já em suas raízes é uma celebração de elite, intelectualizada, embora hedonística. As fantasias e as famosas máscaras venezianas inspiram-se na elegância e bom gosto dos trajes dos séculos XVII e XVIII, ou nas personagens da Commedia Dell´Arte, em que figuram os nossos conhecidos pierrôs, colombinas e polichinelos.

No final do século XI, o Carnaval de Veneza aparecia nas crônicas como festejos que chegavam a durar até seis meses. Por essa época chegou-se até a regulamentar o uso das máscaras, que haviam invadido o cotidiano do povo veneziano. São comuns os relatos de abusos praticados atrás das máscaras durante e depois do carnaval de Veneza: desde a mais ingênua tentativa de sedução até o adultério; de pequenos furtos até homicídios. As autoridades proibiram o uso das máscaras no início do século XVII.

Após quase desaparecer no século XIX, o Carnaval de Veneza vem, desde 1980, sendo revivido e encorajado pelas autoridades. Atrai hoje mais de 100 mil pessoas que, apesar do frio e da ameaça das marés altas que freqüentemente inundam a praça de São Marcos, para ali convergem a fim de admirar o luxo das fantasias e das máscaras.

Em Veneza, nas belas mansões e palácios do Gran Canale, organizam-se também luxuosos bailes, regados a champanhe e animados por ruidosas orquestras. A alta sociedade internacional, afastada do burburinho das ruas, comparece aos salões dos hotéis de luxo, decorados a cada ano com temas retirados das óperas de Verdi. Neles dançam-se valsa, tarantela e até mesmo o samba, cada vez mais popular. O povo, por sua vez, concentrado na Praça São Marcos, se diverte de maneira bem mais desinibida.

Commedia dell'arte - Conhecida também como Comédia de Máscaras, a Commedia Dell´Arte era composta por espetáculos teatrais em prosa, muito populares na Itália e em toda a Europa na segunda metade do século XVI até meados do século XVIII. O espetáculo era baseado no improviso dos atores, que seguiam apenas um esquema elaborado pelo autor para cada cena cômica, trágica ou tragicômica. Grandes atores criavam as ações e os diálogos diante do público. Tornaram-se famosas as figuras de Arlequim, do doutor, do capitão Spaventa, de Pulcinella, Pantalone e Colombina, entre outros, com seus tipos físicos regionais, com seus dialetos e temperamentos especiais, vestimentas e máscaras características.

new orleansveneza



Carnaval em New Orleans (esquerda) e Veneza (direita)

Carnaval em New Orleans

New Orleans é uma cidade ímpar no contexto norte-americano. Segundo porto dos EUA, situada na Louisiania, é famosa por ser o berço do jazz. Aí saboreiam-se também os pratos da apreciada cozinha creole, e seus habitantes orgulham-se de seu rico passado francês, vivo ainda no Vieux Carré, o antigo quarteirão tombado pelo patrimônio histórico e que serviu de locação para os filmes Coração Satânico e Down by Law (Daumbailó).

Abrigando um grande contingente de imigrantes de todas as partes do mundo, principalmente espanhóis e africanos, New Orleans exibe sempre um clima de música e alegria, que explode ainda mais no Carnaval, ou melhor, no Mardi Gras (Terça-Feira Gorda), o maior show ao ar livre do mundo, conforme anunciam as agências de turismo locais.

Teoricamente a festa começa 12 dias após o Natal e termina na Quarta-feira de Cinzas. A rigor, ela acontece duas semanas antes do Carnaval propriamente dito. Os nomes dos blocos e suas concepções artísticas, em sua maioria inspiradas nos deuses da mitologia grega (Hércules, Minerva, Hermes, Baco) atestam o quanto essas comemorações se prendem ainda às saturnais romanas que celebravam a entrada da primavera.

Os blocos, de grande impacto visual, não se cruzam e desfilam em datas e horários diferentes. Assim, não há característica de um concurso. Existe disputa apenas para as fantasias de luxo, em palanque ao ar livre, onde os participantes concorrem com o aplauso da multidão. Quanto à música, bandas de Dixieland Jazz misturam-se nas paradas carnavalescas, saindo dos clubes de Bourbon Street e do Preservation Hall para alegrar a folia nas ruas. O som do carnaval é feito também pelos estudantes dos colégios que, durante o ano todo, ensaiam para os eventos.


Carnaval na Alemanha

Na Alemanha, são conhecidos os carnavais de cidades grandes como Munique e Colônia, que já apresentam características das festas urbanas. Porém, no pleno inverno da Floresta Negra e dos Alpes é que estão as festas mais interessantes e tradicionais de todo o país. No estado de Baden-Wurttenberg, no extremo sul da Alemanha, há séculos os componentes dos chamados Grêmios da Loucura - corporações que se encarregam de legalizar o uso de máscaras durante o Carnaval - saem às ruas exibindo as mais exóticas máscaras que se possa imaginar. Elas são o resultado de um trabalho artesanal que exige muita minúcia e paciência dos rústicos camponeses da região, e relembram antigas personagens, fatos históricos ou lendas do folclore local.

Na cidadezinha de Stockach, de 13 mil habitantes, os mascarados homenageiam Hans Kuony, que foi o bobo da corte de Leopoldo da Áustria, no início do século XIV. Em outro vilarejo, Aach, predominam figuras com cabeças de repolho, por causa de uma lenda, segundo a qual um dos portões de um castelo do lugar devia ser disfarçado sob uma plantação de repolhos, o que nunca era conseguido por causa de um bode que todas as noites devorava a horta.


Sobre o Carnaval, leia também:
Carnaval, Carnavais, de José Carlos Sebe. Editora Ática. A trajetória histórica do Carnaval, desde as suas origens nas celebrações mitológicas da Antiguidade clássica até os nossos dias.


Fontes consultadas:
Antologia do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo. São Paulo, Global, 2001.
Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo. Rio de Janeiro, Ediouro, 1972.
Mirador Internacional. Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda. v. 5, São Paulo/Rio de Janeiro, 1976.
Almanaque Abril 2001 - Brasil. São Paulo, Abril, 2001.
Revista Cultural - Publicação Mensal da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo, Ano I, n° 10, fev./2000.
Revista Geográfica Universal. Rio de Janeiro, Bloch Editores, maio de 1975.
Revista Geográfica Universal. Rio de Janeiro, Bloch Editores, agosto de 1979.
Revista Geográfica Universal. Rio de Janeiro, Bloch Editores, abril de 1988.
Antologia Italiana e Pagine di Letteratura Straniera, de Giuseppe Morpurgo. Verona, Edizioni Scolastiche Mondadori, 14 ed., 1966."

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